Inclusão e Práticas Pedagógicas

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

CARNAVAL, FESTA RELIGIOSA – OU NÃO?

O Carnaval tem suas origens ligadas a festividades religiosas, principalmente o cristianismo. A palavra "Carnaval" deriva do latim "carne vale", que significa "adeus à carne", indicando o período de festas antes da Quaresma. Durante a Idade Média, o Carnaval era uma celebração pagã que precedia a época de jejum da Quaresma, sendo uma oportunidade para extravasar antes do período de penitência. Com o passar dos anos, o Carnaval foi se transformando em uma festa popular, com desfiles, fantasias e música, perdendo em grande parte seu significado religioso original. No entanto, em muitas regiões ainda existem tradições e manifestações culturais que mantêm essa ligação com as raízes religiosas.

Portanto, o Carnaval seria os dias de exaltação o da liberdade antes das restrições do período da Quaresma estipuladas pela religião, o Carnaval tem como mote a ideia de subversão da ordem, na qual as coisas deixam de ser como são, para, temporariamente, assumirem seu inverso

Seu está relacionado ao jejum que deveria ser realizado durante a Quaresma e ao controle dos prazeres mundanos, ou seja, pertencente a matéria corporal e não ao espírito. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de controlar os desejos dos fiéis, pois marca o momento de se entrar em introspecção religiosa, renunciando a prazeres carnais como a bebida, as festas, ao namoro e a luxúria.

O Carnaval foi trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses entre os séculos XVI e XVII, manifestando-se inicialmente por meio do entrudo, uma brincadeira popular. Com o passar do tempo, o Carnaval foi adquirindo outras formas de se manifestar, como o baile de máscaras. O surgimento das sociedades carnavalescas contribuiu para a popularização da festa entre as camadas pobres. O seu surgimento está diretamente ligado a cidade do Rio de Janeiro, sede do governo imperial.

As Escolas de Samba, nascem no início do Século XX na cidade do Rio de Janeiro, que aconteciam na terça feira. São quase que uma reprodução os cortejos de carnaval, onde os brancos mais ricos e escravizadores, enfeitavam seus carros para o desfile que saia da Praça Mauá e seguiam pela Avenida Rio Branco, cantando suas marchinhas de carnaval, e eram seguidos no final por seus escravizados negros, fazendo seus batuques, os mais velhos na frente, as amas em seguida e no final os serviçais limpando a avenida. Para o negro escravizado, não havia o sentido religioso do carnaval europeu, mas era um dos poucos momentos de alegria e descontração que lhes era permitido. Com o passar dos anos, e com a miscigenação cultural, as escolas de samba se tornaram um grande ícone turístico da cidade. Deve-se lembrar, que as mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, estão localizadas nos morros da cidade, local onde os negros alforriados conseguiram montar seus barracos para poder se proteger nas intempéries atmosféricas e constituíram suas casas e seu lar familiar. Nesses locais identificamos o princípio da segregação socioespacial no Brasil. 

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