Este trabalho é um estudo sobre a necessidade de capacitação de todos os profissionais envolvidos no processo de educação, no que tange a utilização plena dos recursos de tecnologia da informação disponíveis no mercado com o objetivo de atingir os objetivos propostas pela instituição de ensino e obtendo o máximo proveito dessas tecnologias em proveito dos educandos.
Outra importante variante neste estudo é a identificação do papel do gestor educacional como incentivador, fomentador e multiplicador da capacitação tecnológica de sua equipe de trabalho, com comprometimento de promover uma educação contemporânea qualificada para sua clientela.
“Minhas aulas sempre foram assim e tive sucesso.” Já ouvi essa frase em muitas escolas, públicas e particulares. Ela mostra o desafio central das TIC na educação: não basta ter computador, internet e celular disponíveis se os profissionais da escola não foram capacitados para usar esses recursos a favor da aprendizagem. Neste post, explico por que a capacitação tecnológica é uma tarefa da gestão, e não só do professor.
Em resumo
- Tecnologia disponível não é tecnologia usada: sem formação, os recursos ficam parados ou mal aproveitados.
- Capacitar é habilitar quem habilita: o professor precisa viver a experiência digital para promovê-la com os alunos.
- A resistência costuma ser medo, e não desinteresse.
- O gestor é o multiplicador: incentiva, fomenta e organiza a formação da equipe.
O que é capacitação em TIC
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) são as tecnologias que mediam os processos de informação e de comunicação entre as pessoas. Capacitar é tornar alguém habilitado para o desempenho de uma função (SENA, 2008). No contexto escolar, capacitar é habilitar o corpo docente para aprimorar a educação dos estudantes.
Um detalhe de linguagem importa. Chaves (1999) prefere “tecnologia na educação” a “tecnologia educacional”, porque o computador não nasceu para ensinar. Ele se tornou parte da educação, como a fala, a escrita e o livro impresso. Por isso, usar a tecnologia bem é uma competência de toda a equipe escolar, e não de um especialista isolado.
Por que muitos professores resistem à tecnologia
Em minha experiência, muitos profissionais da educação ainda veem os equipamentos de TIC como “monstros indecifráveis”. Alguns acreditam que a tecnologia não tem nada a acrescentar às suas aulas. Outros temem não saber usar os equipamentos com o desempenho que se espera deles.
O mesmo receio aparece com os celulares e tablets. Em vez de aliados, eles são vistos como fonte de dispersão. O resultado é uma escola que parece atrasada para jovens que usam tecnologia o dia todo, fora dela.
A saída não é substituir o professor. Andrade (2011) lembra que o computador veio para auxiliá-lo, como um “giz diferente”: a aula continua sendo dele. O que muda é a ferramenta, e para usar bem uma ferramenta nova é preciso formar o profissional.
Ninguém ensina o que não domina
Pereira (2009) resume o problema: “ninguém promove o desenvolvimento daquilo que não teve oportunidade de construir em si mesmo”. Se queremos estudantes com autonomia digital, os professores precisam ter essa oportunidade antes.
Mesmo assim, muitas escolas não têm uma estratégia definida de formação e esperam que o professor já chegue “pronto”. Isso não corresponde à realidade que observei. Sem plano de capacitação, o que sobra são iniciativas isoladas.
O papel do gestor: incentivador, fomentador e multiplicador
Almeida e Menezes (2004) descrevem como as TIC entraram na escola. Primeiro, chegaram à secretaria. Depois, ao laboratório de informática, como atividade extra. Só mais tarde passaram a fazer parte da prática de sala de aula. A conclusão delas é direta: sem a participação dos gestores, o uso fica restrito a práticas esparsas, e a gestão das TIC passa a ser gestão pedagógica e administrativa.
Na prática, o gestor escolar:
- Incentiva o uso da tecnologia e legitima as tentativas, inclusive os erros.
- Fomenta espaços de formação dentro da jornada, como o ATPC.
- Multiplica o conhecimento, conectando quem já domina a ferramenta a quem ainda tem receio.
O gestor não pode se limitar à parte burocrática. Ele é, antes de tudo, educador e multiplicador de conhecimento.

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