CONCEITOS CULTURAIS
Prof.
Caetano Foroni
Reprodução:
internet
Diversidade
Cultural
CONCEITO DE CULTURA
.
O termo cultura possui hoje diversos
conceitos. Para se ter ideia da sua abrangência, estudiosos de diferentes áreas
do conhecimento como Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, por exemplo, já
dedicaram parte do seu trabalho ao estudo específico do termo sem, no entanto,
chegarem a um consenso. Originalmente, esta expressão vem do latim – colere – e
significa cultivar. Com os romanos, na Antigüidade, a palavra cultura foi usada
pela primeira vez no sentido de destacar a educação aprimorada de uma pessoa,
seu interesse pelas artes, pela ciência, filosofia, enfim, por tudo aquilo que
o aspecto, a abrangência do termo tornou-se, de lá até nossos dias, cada vez
maior, sendo aplicado nas mais diversas situações, ou seja, desde o plantio de
um produto agrícola, do cultivo da pesca, criação de animais etc., até o
trabalho cientifico realizado por pesquisadores das Universidades. A todas
essas atividades, portanto, podemos aplicar o termo cultura.
Apenas para ilustrar, no Novo Dicionário de
Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, aparecem nada menos
que oito conceitos diferentes de cultura. De todos, vale a pena destacar o
terceiro, que parece ser o mais abrangente e o mais completo – cultura é:
O complexo dos padrões de comportamento, das
crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais
transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade; civilização: a
cultura ocidental: a cultura dos esquimós.
Assim, e conforme o conceito acima – o que
podemos entender por cultura? Cultura, quando aplicada ao nosso estilo de vida,
ao convívio social, nada tem a ver com a leitura de um livro ou aprender a
tocar um instrumento, por exemplo. Na realidade, o trabalho do antropólogo,
estudioso da cultura humana, começa pela investigação de culturas, ou seja,
pelo modo de vida, padrões de comportamento, sistema de crenças, que são
característicos de cada sociedade. Em outras palavras, pode-se dizer que
nenhuma sociedade, nenhum povo, seja ele atrasado ou desenvolvido, primitivo ou
civilizado, jamais agirá de forma idêntica aos demais. Poderá haver, isso sim,
algumas semelhanças. O monoteísmo, por exemplo, tornam semelhantes às
sociedades, os povos que acreditam em um só deus. Mas assemelha-os, apenas. A
forma de cultuar esse deus, seu significado, o que ele representa, enfim, todo
o sistema de crenças é diferente de um povo para outro.
No Brasil, as mesmas formas de conduta e os
padrões culturais mudam nitidamente de uma região para outra, embora
formalmente haja unidade cultural determinada principalmente pela unicidade do
idioma português e da religião católica. Na prática, porém, a situação é outra.
Há uma cultura regional no Norte do nosso país, que bem caracteriza o estilo de
vida do homem da Amazônia e o diferencia literalmente do habitante do Sudeste e
Sul.
Não bastassem os usos e costumes diferentes,
o nortista (assim como o gaúcho e o nordestino) criou algumas expressões que
lhes são próprias. É o que acontece com a palavra palhaço. Enquanto no Sudeste
e Sul ela é sistematicamente usada para xingar, dirigir insultos, no Norte ela
mantém apenas o significado original, ou seja, o artista de circo que faz rir.
Curioso notar que, nesse caso, a pessoa a quem foi dirigida a expressão fica
até lisonjeada e orgulhosa por ter sido comparada a um artista.
O fato significativo, no entanto, é sabermos
que jamais encontraremos duas comunidades com culturas iguais. É preciso notar
que a sociedade é formada por um contingente organizado de pessoas, regidas
pelo mesmo conjunto de normas e leis, que de alguma forma aprenderam a viver e
a trabalhar juntas para a própria manutenção dessa sociedade. Uma cultura, por
outro lado, é também um grupo organizado de padrões culturais, normas, crenças,
leis naturais, convenções, entre outras coisas, em constante processo de transformação.
Assim, apesar da inter-relação cultura e sociedade ser muito estreita e
ininterrupta, de serem mesmo imprescindíveis uma à outra, temos de ter sempre
em mente o seguinte aspecto: são duas coisas distintas que apresentam dinâmicas
diferentes.
Nesses termos, é claro, nada impede, por
exemplo, que a sociedade brasileira tenha uma cultura que abranja todo o seu
território e, ao mesmo tempo, coexista com essa cultura a nível nacional e uma
outra regional. Até porque a própria dinâmica da cultura, seu processo de
transformação, permite, ao longo do curso da história, a aquisição de novos
elementos e o abandono (quase sempre por desuso) de outros. Esse fenômeno é
universal e tem influências no folclore de qualquer sociedade. Com o advento
dos veículos de comunicação de massa, vamos notar que esse processo, em parte,
tende a se se homogeneizar.
Bibliografia:
LINTON, Ralph. O homem: Uma introdução à
antropologia. 3ed., São Paulo, Livraria Martins Editora, 1959. Citado em
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16ed., Rio de
Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003, p.106-108
Caldas, Waldenyr. O que todo o cidadão precisa
saber sobre cultura. São Paulo: Global, 1986.
Plano de aula elaborado
por Paulo Brizolla, em:
https://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20062_m/Paulo_Brizolla/Planejamento_das_aulas.html
LEIA O TEXTO A SEGUIR E ELABORE AS ATIVIDADES SOLICITADAS
O cidadão norte-americano
Ralph
Linton, antropólogo
“O
cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário
do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser
transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta
se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro
domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na
China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no
Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram
inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no
quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e
norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário
inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos
gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos
sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando
ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu
meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele
originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles
curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão
proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores
vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos
croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a
rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver
chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central
e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de
feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De
caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas,
invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados
de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na
China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é
inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu
breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou
talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e
açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar o seu leite são
originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira
vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos
fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o
trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de
maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como
prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na
Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia
Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.
Acabando
de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios
americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que
procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for
fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do
Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do
dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material
inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das
narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador,
agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser
cem por cento americano.”
.
LINTON, Ralph. O homem:
Uma introdução à antropologia. 3ed. , São Paulo, Livraria Martins Editora,
1959. Citado em LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16
ed. , Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor , 2003, p.106-108
Texto disponível em
https://www.saogabriel.pucminas.br/csociais/textos/r/ralphlinton-ocidadaonorte-americano.pdf

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